sexta-feira, 6 de março de 2009

Um ano sem Marthinha


O telefone tocou e, poucos segundos depois, o chão se abriu sob meus pés. Em seguida, arrepios e mais arrepios percorreram o meu corpo. Era como se ela estivesse ali ao meu lado, me amparando no instante em que eu recebia a notícia. O choro não veio na hora. O choque foi tamanho que estancou minhas lágrimas.
O que você faria se descobrisse que uma grande amiga sua, parceira de tantos momentos, se despede da vida aos 30 e poucos anos? Sem dar nenhum sinal de que isso estava prestes a acontecer, para que você se preparasse... O que você faria se visse os sonhos de alguém que você ama muito serem interrompidos por conta de um coágulo que migra pelas suas veias até entupir sua respiração? Assim, do nada...
Há um ano tive que enfrentar essa situação e não foi nada agradável. Minha amiga Martha Lavenère – uma das pessoas mais doces, prestativas, engraçadas, solidárias, companheiras, agregadoras que eu já conheci... – fez a passagem e nos deixou aqui, boquiabertos. Tenho certeza de que ela, em sã consciência, jamais planejaria fazer uma coisa dessas com seus amigos. Logo ela, que movia céus e terras para nos ver sempre felizes. Não, esse não foi um plano da Marthinha. Foi um plano de Deus. E, quanto a isso, só temos que acatar os seus desígnios e saber que, se aconteceu, é porque foi o melhor para ela dentro de um contexto que está muito longe da nossa compreensão.
Ainda assim, foi um dos momentos mais tristes da minha vida. Mas, para sofrer menos, fiz o contrário do que Vinícius diz em seu poema. Do pranto, fiz o riso. Não choro mais, apenas sorrio. Cada vez que penso nela, lembro dos bons momentos. Chego a dar gargalhadas lembrando das nossas bobeiras juntas. E quando me sinto desesperançada, me recordo de suas frases de incentivo me valorizando, me fazendo enxergar o meu verdadeiro potencial.
Às vezes sonho com a Marthinha... O último foi na noite do meu aniversário, na semana passada. Virei-me para ela e disse: “Você não está me devendo nada, não?” E ela, então, me dava um grande abraço: “Claro! Feliz aniversário!” Hoje, amiga, sou eu quem te deseja feliz aniversário. Sim, porque acredito que, agora, dia 6 de março é o dia do seu renascimento. Você renasceu para o mundo espiritual, que, a meu ver, é o nosso lugar de origem e de destino. E, quando você voltou praí, deve ter sido recebida em festa, por conta do tanto de coisa boa que fez aqui nos seus poucos anos de vida.
Sabe, amiga, talvez você tenha até se revoltado por ter ido tão cedo. Mas, veja bem, num dos últimos e-mails que nós trocamos, você se queixou de que não estava fazendo todo o bem pelos outros quanto gostaria de fazer. Ora bolas, Martha! Claro que estava! Senão, você ainda estaria aqui com a gente. Sua missão na Terra havia chegado ao fim. Uma missão bem-sucedida, com certeza! Bom é saber que você continua ajudando a todos nós daí mesmo, onde se encontra, e ainda com mais força! Afinal, pertinho de Deus fica mais fácil pedir pela gente, não é?
Apenas te peço que não se preocupe excessivamente com seus amigos e amores que ficaram... Nós aqui vamos tocando nossas vidinhas, enfrentando nossos desafios, curtindo nossas alegrias e aprendendo com nossas tristezas e decepções. Quanto a você, bela, cuide-se bem por aí. Lembre-se do seu velho ditado: tudo flui, tudo flui, tudo flui...
Para nós, há um ano, tudo está fluindo...

Beijos com amor, minha querida! Nunca se esqueça que o amor não morre nunca e permanece nos unindo!

PS: Sua afilhada Marie te manda um beijo, um miado e uma lambida!

segunda-feira, 2 de março de 2009

Fotos da vida

Era apenas uma foto. Em preto e branco. Amarelada. Beiradas gastas pelo tempo, passada de mão em mão. Não havia álbum luxuoso para guardá-la. Nem álbum simples. Ficava escondida entre as páginas de um velho livro. Nela, duas crianças. Um bebê gordinho, lindo. Mas não vestia roupas fofas como qualquer bebê. Sequer fraldas tinha, muito menos cueiro. Bumbum sentado direto num chão de terra batida. No rosto, um grande sorriso alheio a tudo.

Ao lado dele, um menino de uns três anos. Com shortinho de malha simples e uma camisa na altura do umbigo, nitidamente rota. Já devia ter passado por muitos outros corpos de criança antes de chegar àquele. Estava de pé – pés no chão –, ao lado do irmãozinho como um guardião. Menino bonito! Cabelos alvos lisos, perninhas ligeiramente tortas... Seus lábios não sorriam. Seus olhos falavam por ele. Eram fundos, escuros. Escondiam ali segredos que só uma infância difícil pode saber. Havia um ar de maturidade, num corpinho de pouco mais de um metro.

E lá estava ela com aquela foto nas mãos. Mãos trêmulas. Uma lágrima rolou e quase caiu sobre o papel amarelado. Numa manobra rápida, ela evitou estragar ainda mais a envelhecida fotografia. Passou os dedos sobre o rosto para estancar qualquer outra emoção fortuita que ousasse sair. Sentiu sua pele tão amarrotada quanto aquela foto. Que passado era aquele, tão distante, que abrigava duas belas crianças numa pobreza tão doída?

Era o passado dela. De uma mãe que deu à luz não dois, mas sete filhos. Apenas os meninos mais novos haviam sido clicados por um vizinho, que depois lhe ofertou o fragmento daquele momento cristalizado em papel. E ela o guardava como relíquia protegida entre as páginas daquele livro sagrado, que permanecia sobre sua penteadeira em meio a alguns frascos de perfume e uma caixa com poucas jóias. Ela não era muito de jóias. Suas jóias mais preciosas estavam na sala, à sua espera.

Fechou o livro, olhou-se no espelho, retocou o batom cor de boca, ajeitou os fios brancos e levantou-se. De pé, passou as mãos sobre o corpo para assentar ainda mais o vestido de corte simples, mas elegante, que usava. Aquele era um dia especial e queria se sentir bem. Oitenta anos fazia... E a foto amarelada já devia acompanhá-la há quase sessenta. Por isso, não poderia ir para a sala encontrar seus convidados sem antes olhar a velha companheira que não a deixava esquecer quem ela era. Quem ela havia sido.

Mulher de vida dura, mulher batalhadora. Criou seus filhos praticamente sozinha, porque era como se companheiro não tivesse. Até que, um dia, realmente não o teve mais. Foi embora com outra. Pouca diferença fez. Trabalhava o dia inteiro, à noite ia à escola tentar aprender a ler, escrever e fazer conta. Conseguiu. Sua escadinha de filhos segurava a barra em casa. O mais velho tomava conta do mais novo, que tomava conta do mais novo, que tomava conta do mais novo... No fundo, todos os irmãos olhavam uns aos outros enquanto ela lutava pelo arroz e feijão de cada dia.

Parentes vendo aquilo quiseram dividir seus filhos. Cada um criaria um. Todos ouviram não como resposta. E ela continuou tocando sua vida. Quando se deu conta, os meninos já eram homens, as meninas já eram mulheres. E mais do que homens e mulheres, eram pessoas com força, garra, determinação. Haviam herdado da mãe. Mergulharam na vida sem medo e prosperaram. Formaram suas próprias famílias e a encheram de netinhos com fraldas descartáveis, roupas de grife e berços de ouro.

E todos a esperavam na sala. Quando ela saiu do quarto da boa casa em que hoje morava, foi recebida pela melodia do Parabéns entoada por corações cheios de amor e gratidão. Seus filhos, sua família! Sua razão de ainda estar viva para saborear mais este momento. Lá para trás ficaram os dias difíceis, em que aniversários, quando comemorados, eram regados a bolo barato e groselha. A mesa agora era farta. Mas isso era o que menos importava naquela hora.

O neto mais velho tratou logo de armar um tripé no meio da sala, no qual atarraxou uma moderna máquina digital. Ajeitou toda a família por trás da grande mesa. Ela ao meio. Apertou um botão, correu para unir-se aos outros e, cinco segundos depois, o flash espocou eternizando aquela cena. Inúmeros sorrisos, inclusive o dela.

Dois dias depois, o neto voltou com um presente nas mãos. Era um porta-retrato com moldura toda trabalhada, um luxo só! Por trás do vidro, a foto da família toda reunida, impressa em papel brilhante. Mas quem brilhava mais eram os olhos dela.

Quando o rapaz se foi, ela correu para o seu quarto, sentou-se na penteadeira e arrancou a foto de dentro do porta-retrato. Pegou seu antigo livro, abriu na página em que se encontrava a foto amarelada e, por trás dessa, acomodou a atual. Antes de fechá-lo, não resistiu e acariciou com seus dedos frágeis a foto de seus pobres meninos. Agora, esboçou um leve sorriso.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

O meu sangue ferve por um careca

Nunca diga dessa água não beberei... E isso posso garantir, com grande conhecimento de causa, a qualquer mulher que ousar dizer que os carecas jamais serão merecedores de seus olhares apaixonados. Tá certo que, no clima de azaração, os olhos da mulherada tendem sempre a pender pro lado de um cabeludo do que de um careca. Mas, se você se permitir conhecer um, cuidado: o cupido pode te flechar.
Passei minha adolescência e início da fase adulta achando todo e qualquer careca um ser desprezível, de outro planeta. Pra mim, coitados, aqueles homens deviam ter um carma muito pesado para terem perdido seus fios tão cedo... Até que, aos 23 anos, conheci o Rômulo. Um cara malhado, gostoso... e com cabelos abaixo do pescoço. Nossa, ele me causou um outro efeito aversivo que sempre tive: falta de tesão por homens de cabelos compridos (e também por homens de terno e de farda, mas esse tema fica pra outro post...). Alguns meses depois, surpresa! Esse (então) amigo passou máquina 1 nos fios. Foi amor à segunda vista! Se Sansão perdeu a força quando Dalila cortou seus cabelos, o efeito contrário aconteceu comigo... Rômulo ganhou força e um lugar no meu coração. O qual ocupa há 15 anos...
A partir de então, tudo mudou no meu faro feminino. Descobri um novo universo de masculinidade que não passava necessariamente por uma vasta cabeleira. Bruce Willis foi o primeiro... Gente, o que era (e ainda é) aquele homem????? Adorava vê-lo em todo e qualquer filme, sobretudo naqueles em que ele aparecia sem roupa. Era duro de olhar... 1, 2, 3, 4...
Depois veio aquela moda dos que estão começando a perder os fios aderirem à gilete. Nossa, nunca fui tão grata assim a um modismo... O que é Marcello Antony de cabeça raspada? E Malvino Salvador? Uiiiiiiiiiiiiii!!!! Alguém tem um leque aí pra me abanar? Há também os gatos que estão começando a perder os fios, mas não perdem a formosura. Bons exemplos são Nicolas Cage e Jude Law. Continuando por Hollywood, Sean Connery é um exemplo de coroa charmoso. Mas esse, sei não... Andou aparecendo com implante em seus últimos filmes, mostrando que nem ele é chegado num careca. Preconceito puro!

Passando pro esporte, o fato é que, no Brasil, a maioria dos jogadores de futebol carecas são feios pra chuchu. Melhor nem dar nome aos bois, pra evitar qualquer processo de calúnia e difamação contra mim. Na natação, porém, temos um espécime raro: o Xuxa. Gatinho com ‘g’ maiúsculo. Partindo pro futebol internacional, o deus David Beckham já andou raspando os cabelos, embora não seja exatamente um careca. Deu prova de que é bonito de qualquer jeito. E tem um francês... um carequinha chamado Zidane... Ah, esse que se dane!

Para terminar minha singela listagem, vou falar de um amigo, grande blogueiro (http://mordeeassopra.blogspot.com/) que, em seu último post, homenageou as gordinhas (categoria em que me encaixo) e, por isso, está tendo minha homenagem em retorno. Fernando Freire Jr., meu brother, é um ótimo representante da categoria ‘carecas cheios de charme’.
E se você ainda não se convenceu de que há muita graça e beleza entre aqueles que vivem bem com suas cabeças brilhantes, tenho mais um argumento. Já reparou que a maioria dos homens que começam a perder os fios correm pra academia? Como lei da compensação, enchem o corpo de músculos e aí, caramba, quem vai querer saber de olhar para a cabeça deles? Quem se importa com a falta de algo em cima, se o restante é pura ‘dilícia’? Eu não me importo. E é por isso que digo: quem tem seu careca gostoso em casa, agarre-o bem! Depois desse post, acho que vai ter muita mulher à solta por aí em busca de um careca pra chamar de seu.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

De volta às aulas

Nunca achei que pudesse ser tão doloroso... Tanto tempo parada... As máquinas evoluíram, o ambiente agora tem ar-condicionado. Para entrar, tenho que digitar uma senha. E, para que eu pudesse iniciar as aulas, tive que primeiro ser avaliada por um professor. Mas, em vez de me passar uma prova escrita, ele tinha em suas mãos um estranho aparelho que beliscava minhas dobrinhas.

Para piorar a situação, o professor achava que tinha mais de uma pessoa na sala me avaliando. “Nós vamos estar te fazendo algumas perguntas.” Nós quem, cara pálida? Doeu mais ainda em meus ouvidos quando constatei que, em vez de erudição, só saía de sua boca frases de telemarketing: “Agora estaremos medindo sua coxa. Agora estaremos verificando sua postura.”

Ué, coxa, postura? Que escola é essa??????

É, pessoal... Beirando os 40 anos, estou de volta às aulas... numa academia! E é tudo muito estranho... Acho que desde a adolescência não freqüentava uma sala de musculação. Mas, da mesma forma que minha mente tem sede por conhecimento (fico devendo a vocês relatar como foi, no ano passado, minha volta à faculdade), meu corpo tem fome (e que fome, meu Pai!) em voltar a ter um corpo, digamos assim, apreciável. Foi uma fome descontrolada que me fez chegar aonde estou quando subo na balança (não digo meu peso nem sob tortura!). E agora tenho que lidar com a fome, com a ânsia, com o desejo de poder voltar a usar uma calça jeans com blusa justa sem que me dêem o lugar no ônibus para eu sentar. Mas, como nada acontece por milagre, o jeito foi me matricular nessa escola que promete moldar o corpo em 12 lições.

Só que, como disse na primeira frase, nunca achei que pudesse ser tão doloroso... No primeiro dia (ontem), fiz 30 minutos de esteira e uma hora de aula de... IOGA! Acredite: sofri mais na aula de ioga do que na esteira. Meu corpo enferrujado não conseguiu aceitar os comandos da professora que nos pedia para esticar, torcer, alongar... Achei que fosse sair da aula com um nó no corpo todo. À tardinha, já comecei a perceber que minhas pernas, sobretudo os glúteos, estavam doloridos. Tudo culpa de uma simples aula de ioga...

Hoje fiz uns 35 minutos de esteira e estreei minha série de tortura, digo, de musculação. Me senti ridícula naqueles aparelhos. No meu entorno, só via homens e mulheres com corpos sarados e roupas de ginástica da moda. E eu com um shortinho de cotton e uma blusa de malha larga. Francamente!!! Paguei muito mico... Não sabia entrar nem sair dos aparelhos e o professor me olhava com cara de pena, como se estivesse lidando com a avó dele.

Fui embora da academia tendo feito apenas a metade das repetições da minha série. Mesmo assim, já na escada de saída, percebi que havia algo errado com minhas pernas. Elas não obedeciam ao meu comando. Pareciam rochas trêmulas. Se é que existem rochas que tremem... Mas era exatamente isso o que eu sentia: pernas pesadas e vacilantes. Cheguei em casa varada de sede (ainda bem que não era de fome) e fui direto abrir a geladeira. Pra quê... O simples esforço de abrir a porta me fez lembrar que meus braços tinham músculos, agora imensamente doloridos. Bem, pelo menos isso irá evitar que eu ataque esse depósito de guloseimas ao longo do dia de hoje.

É, querido leitor... Você não sabe o esforço que estou fazendo pra escrever este post... Até meus dedinhos doem. (Espero, então, que você reconheça o meu sofrimento e deixe um comentário pra mim.) Faço isso, porém, porque quero deixar aqui registrado que posso vir a me tornar uma quarentona daqui a 19 dias, que posso estar acima do peso que já tive até mesmo quando estava grávida, mas sou brasileira e não desisto! Quero (e preciso) fazer as pazes com o meu corpo se quiser chegar aos 50, aos 60, aos 70... E se para isso tenho que passar por sessões pagas de tortura, vamos lá!!!!

Como diria o velho Paulo Cintura nos anos 80 (época em que eu adorava ir à academia): içaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!!!!!!!!!!!!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

O caminho de Adriana e o meu caminho

Dizem que santo de casa não faz milagre. É a mais pura verdade! Sou uma blogueira que não tem escrito em seu blog. Sou uma blogueira que não tem aproveitado esse espaço abençoado – e gratuito – que é a Internet para divulgar o trabalho que eu considero o mais importante na minha vida nos últimos anos. Mas, como também dizem, nunca é tarde...

Muitos amigos meus sabem que meu sonho é ter uma editora. Ou melhor, a minha meta. No ano passado, eu cheguei perto disso: me uni a uma (ainda) pequena editora, a LR, para lançar um livro que vi nascer desde a idéia: Meu Caminho, de Adriana Bragança. Me uni como? Dividi todos os custos com o Luiz Ricardo Escobar, dono da editora, e espero, em breve, dividir também os lucros. Antes disso, fiz todo o trabalho de coordenação editorial, aconselhando as melhores formas de a Adriana escrever e fazendo o preparo de originais (reduzindo um calhamaço a quase a metade). Depois foi a hora de encher o saco do meu amigo-irmão-sócio Sidney Ferreira para ele fazer toda a parte gráfica do livro (a capa e o miolo ficaram lindíssimos), coordenar os revisores, bater mil e uma bolas com o Luiz Ricardo a respeito de gráfica e papel, organizar tarde de autógrafos, distribuir releases para a imprensa, etc. Foi um grande aprendizado para mim.

No dia 18 de outubro, o livro chegou prontinho para nós ao meio-dia (sendo que o lançamento estava marcado para as 14 horas – uma adrenalina!). A tarde de autógrafos foi mágica, a Adriana autografou mais de cem livros sem parar, superando suas dificuldades para escrever. Tivemos alguma resposta da mídia, mas ainda não o que desejamos (a batalha continua quanto a isso). E agora, no início de janeiro, aconteceu o que mais queríamos: o livro, finalmente, chegou às prateleiras (inclusive a virtual) da rede Saraiva/Siciliano. Para mim, são pequenas vitórias que estão me fazendo uma profissional mais feliz.

Bem, só falta falar do livro, né? Adriana Bragança, aos 31 anos, se viu vítima da esclerose lateral amiotrófica (ELA), doença incurável que tira os movimentos dos músculos progressivamente e, em cerca de quatro anos, conduz à morte – é a mesma doença do físico inglês Stephen Hawking, autor do best-seller Uma Breve História do Tempo. Os músculos da fala de Adriana foram os primeiros a enfraquecer, privando-a de seu trabalho como professora e do contato verbal com as filhas, Júlia, na época com quatro anos, e Luisa, ainda bebê. Aos poucos, foi perdendo a capacidade de andar. Mas nunca deixou de correr atrás de sua cura. Embora todos falem que é impossível.

Mesmo com o comprometimento dos movimentos de braços e mãos, ela escreveu o livro Meu Caminho, onde conta como era sua vida ativa antes da doença, como lidou com os primeiros sintomas (perda da fala, tombos, limitações físicas...) e como resolveu percorrer o caminho inverso ao de outros portadores de ELA, que se entregam ao abatimento à espera da morte.

O caminho de Adriana passa pela sua fé e pela sua alegria de viver; pela busca de ajuda em religiões e crenças, descobrindo que cada uma pode contribuir positivamente; pelas pesquisas com células-tronco, onde reside sua esperança de cura; e pelo estudo do poder da mente, a fim de atrair as mudanças pelas quais tanto luta.

Adriana traça um caminho que surpreende médicos, fonoaudiólogos e fisioterapeutas, por fazer avanços surpreendentes para um paciente com ELA. Sete anos após o diagnóstico da doença, continua trabalhando sua mente, seu corpo e suas emoções. E, em Meu Caminho, compartilha os segredos de onde tira tanta garra para reverter seu quadro e ensina grandes lições a quem esteja enfrentando qualquer tipo de problema.

Querido leitor, amigo ou não, compre o livro da Adriana e confira essa história de força e fé. Você vai gostar! Veja o que as pessoas estão achando do livro na comunidade “Livro Meu Caminho" (http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=72137305). E, se puder, me ajude a divulgá-lo!

Beijos em todos!

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Papo de maluco

Adoro andar de táxi, isso não é mistério pra ninguém – muito menos para o meu marido, que acha um absurdo eu gastar esse dinheiro tendo carteira de motorista renovadíssima na bolsa. Quando estou de bom humor e o papo do motorista é interessante, acabo dando corda à conversa. Hoje foi um desses dias. Mal entrei no táxi, um senhorzinho (ou seria um sinhôzinho? Você vai me entender...) de pele branca, rosto enrugado com barba por fazer e, na cabeça brilhante, últimos fios brancos espetados indicando que ali, algum dia, houve uma cabeleira lisa – e talvez loura – iniciou o diálogo da maneira mais tradicional possível:
– Quer que eu ligue o ar?
– Olha, tá meio abafado, mas pode deixar as janelas abertas mesmo... – respondi, completando com outro clichê: – Certamente vai chover mais tarde...
– Vai chover hoje, sábado, domingo e feriado!
– Feriado? Quando? – Me empolguei.
– Tô brincando com a senhora... Modo de dizer...
– Ah, tá.. Porque feriado de Zumbi só no final do mês – completei, desapontada.
Logo em seguida, me desapontei mais ainda. Fugindo completamente de qualquer frase feita, o taxista me dardejou:
– Sou contra o feriado de Zumbi. Pra que homenagear os negros? Olha, vou confessar, sou racista mesmo. Não gosto de crioulo!
Respirei fundo. Procurei não esboçar qualquer alteração no meu semblante. Eu estava de bom humor, lembra? Não seria um mané que iria alterar meus ânimos...
– É mesmo? Que interessante o senhor assumir isso... Está cheio de racistas por aí que fingem que não são, mas, pelas costas, metem o malho nos negros...
– Ah, é... Eu assumo que sou racista mesmo! Já até respondi processo por conta disso. Mas não posso mudar meu jeito de ser.
E daí ele desatou numa verborragia, essa sim cheia de clichês politicamente incorretos: “crioulo é que é racista... crioulo que chega ao poder só faz merda... basta um crioulo se dar bem na vida que já quer se casar com uma loura pra apresentar pros outros como um troféu...”
Daí interrompi:
– Êpa, mas e o Obama? Ele é casado com uma negra!
– Mas não demora muito ele vai largar ela e trocar por uma loura, você vai ver só!
A essa altura, eu já estava rindo. Achando tudo aquilo uma grande piada.
– Mas o senhor acha que ele vai fazer um mau governo só porque ele é negro?
– Olha, esse aí parece ser uma exceção... Acho que ele vai fazer algo bom sim. Mas escreve o que estou te dizendo: em breve, a primeira dama dos Estados Unidos vai ser uma louraça!
Ainda bem que a corrida era curta. Um minuto a mais, não sei se a minha paciência agüentaria. Desci do táxi parabenizando o velhinho com ares neonazistas por sua sinceridade.
– A melhor coisa do mundo são as pessoas sinceras...
Pena que eu não fui sincera com ele
.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Ficção científica ou realidade?

Estávamos, eu e um grupo de pessoas, fugindo desesperadamente de homens que nos perseguiam. Era uma sensação de angústia muito grande. Embrenhávamos pelo verde muito bonito das montanhas, mas tinha aquele cinza no ar de quem tem medo. No momento eu que eu corria sobre uma frágil ponte feita de bambus, tendo ao meu encalço um chinês fardado aterrorizante, vi aquela onda imensa surgindo por trás de uma montanha. Volumosa, barrenta, escurecendo o dia... Eu e o chinês corremos para dentro de um casebre à nossa frente, onde já se escondiam outras pessoas. Todos se agacharam e ficaram encolhidos, esperando, sem direito à defesa, o destino final. Mas a água não nos cobriu. E o som ensurdecedor da big hola parou.

Eu fui a primeira a me levantar. Coloquei uma das mãos pela janela, sem coragem de olhar o que havia lá fora, e senti meus dedos transpassando uma água não fluida, mas pegajosa, oleosa... Tomei fôlego e olhei: a extensão da onda havia chegado apenas à altura da casa em que nos abrigáramos. Agora, podíamos abrir a porta e ter um mar aos nossos pés. O que antes era montanha havia virado praia.

Gritei de felicidade: “Estamos salvos! A onda não nos atingiu!” Todos – perseguidos e perseguidores – vibraram e se abraçaram. Começaram a trocar sorrisos, carinhos e até presentes. A dor do medo havia unido a todos nós. Não havia mais ódios, nem guerras. Apenas a felicidade diante do fato de que tínhamos sobrevivido àquela revolta da natureza. Apenas a certeza de que nossa fé havia nos salvado. Porque, agachada, lembro que rezei pedindo a Deus que me ajudasse...

Saí da casa e vi a montanha agora envolta pelo mar. Mas a água não era mais a mesma... Havia realmente óleo nela. Teria sido uma catástrofe ecológica? Algo relativo à ganância dos homens em explorar petróleo nas camadas mais profundas da Mãe Natureza? Vi, ao longe (mas perto o suficiente para meus olhos e meu coração entenderem tudo), pessoas felizes nadando naquela água. Elas haviam descido de uma embarcação muito estranha, semelhante a um disco voador, que sugava todo aquele óleo com grandes aspiradores.

Sem que eu saísse de onde estava, um dos tripulantes dessa nave-embarcação me enviou a mensagem telepática de que estava ali em paz, para aproveitar todo aquele óleo tão vital para seu planeta, uma vez que agora não precisaríamos mais dele. Disse, também, que nos resgataria, para que pudéssemos ficar em seu planeta enquanto a Terra se reconstituiria da catástrofe sofrida.

E acordei...

Sim, isso foi um sonho. Tão real quanto a maioria dos sonhos que tenho. Tão cheio de simbolismos e mensagens. Será preciso que aconteça uma grande catástrofe natural para que os homens parem de guerrear e se unam fraternalmente? Será preciso que seres mais evoluídos de outros orbes resgatem os poucos sobreviventes para que a Terra se recomponha e, mais tarde, possamos voltar a habitá-la?

Dizem que, no estágio em que nos encontramos, o homem aprende pela dor, não pelo amor. Esse sonho reflete bem isso... Gostaria que nenhuma catástrofe fosse necessária para que todos nós aprendêssemos que, para melhorar o nosso planeta, basta nos amarmos, nos aceitarmos... Basta termos coragem de perdoar... Basta sermos mais solidários... Basta que deixemos de lado o egoísmo, a ganância... Basta que cada um faça a sua parte, para que o todo se transforme.

Mas, em vez disso, esperamos estaticamente pela grande onda que se aproxima...