terça-feira, 16 de novembro de 2010

Acelera nossas vidas, Ayrton!

Fazia tempo que eu não saía do cinema chorando. O filme acabou, as luzes acenderam, minhas pernas ligaram o automático para ir embora e, do lado de fora, não aguentei e voltei a chorar. Eu andava pelos corredores do shopping abraçada ao meu marido e as lágrimas correndo, correndo... As pessoas me olhavam e deviam estar pensando: “Nossa, coitadinha, deve ter morrido alguém da família...” Sim, morreu alguém sim. Há 16 anos. Alguém da família Brasil... Ayrton Senna.

Resisti muito para ir ver o documentário Senna. Achei que não fosse gostar porque sempre detestei corridas de Fórmula 1. Mas, no feriado chuvoso, eu e minha família fomos ao cinema assistir a uma comédia nacional e, para nossa surpresa, não havia mais lugares. Como nossa caçula ainda não consegue ler legendas, fomos forçados a optar pelo documentário (pra alegria do Rômulo, que estava louco pra ver!). A fila para comprar ingressos estava quilométrica. Todas as salas lotadas. E aí aconteceu a segunda surpresa: acho que nem 1/3 das poltronas estavam ocupadas para Senna. Uma pena...

O documentário é emocionante! Apesar de não entrar muito na vida pessoal do corredor, pincelou o suficiente para deixar claro que ele era um cara família, humilde, preocupado com o social e repleto de garra e fé. Como eu sempre acompanhei a carreira de Senna por tabela (não via as corridas, mas, óbvio, me emocionava com as vitórias amplamente televisionadas), não conhecia esse lado dele. Pelo contrário, lembro bem que o que mais ouvia sobre Senna eram fofoquinhas do tipo “ele é gay. Sai com mulheres bonitas apenas pra disfarçar”. Então, a surpresa número 3 da tarde foi descobrir o ser humano maravilhoso que ele foi. Sempre preocupado em se melhorar, em evoluir, em todos os campos de sua vida.

A velha máxima “Deus escreve certo por linhas tortas” faz total sentido no caso de Senna. Ele viveu pouco, mas o suficiente para deixar um megaexemplo para a humanidade. Pelos estranhos desígnios de Deus, ficou entre nós por pouco tempo, mas o suficiente para plantar uma semente do bem que acabou virando instituto. E continua até hoje brotando não apenas em ações sociais, como também no simples fato de mostrar às pessoas como é possível ser rico, bem-sucedido, e ainda assim saber que tudo isso é presente de Deus e que é a fé que move o mundo. Isso é algo que o filme nos passa. Pelo menos foi o que mais chamou minha atenção. E fiquei feliz por minhas filhas estarem comigo assistindo ao filme, para poderem entender como se deve proceder para sermos “homens de bem”.

Na manhã em que Senna morreu, eu era recém-casada e tinha, à tarde, um churrasco de aniversário para ir. Lembro bem que nunca vi nada igual. Todos os convidados estavam cabisbaixos, apáticos... A comoção foi geral. E pobre da aniversariante que tentava se mostrar alegre e saltitante para não deixar a peteca da festa cair. Mas a peteca já tinha caído. Aquele foi um dia tristíssimo para o Brasil. E mesmo eu, que não era fã de F-1, consegui compreender a dimensão daquela perda.

E agora o filme resgata isso. Para não deixar cair no esquecimento das pessoas quem foi Ayrton Senna. Dizem que brasileiro tem memória curta. Que este documentário cumpra o efeito fosfosol em todos nós. Se cada um fizer 1/10 das ações positivas de Senna, o mundo há de ser melhor.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Quero ficar no teu corpo feito tatuagem

Um bom tempo atrás, li uma historinha na Internet que falava sobre um casal que passou a vida toda escrevendo nos locais mais inusitados a seguinte “palavra”: Neoqeav. Nem os filhos sabiam o que aquilo significava. Quando, já idosos, a mulher faleceu, o marido escreveu na lápide: Neoqeav. E só então revelou aos filhos que se tratava de uma sigla: Nunca Esqueça O Quanto Eu Amo Você.

Contei essa história pro Rômulo e passamos a adotá-la entre nós em bilhetinhos-surpresa ou no espelho suado após um banho quente. Até que, em 11 de janeiro de 2007 (quando completamos 13 anos de casados), resolvi eternizar nossa jura de amor: tatuei Neoqeav no cóccix, local estratégico para ser apreciado unicamente pelo meu amor. Ele adorou, lógico! Só que, nossa, como doeu. No meio da tatuagem, eu estava quase arrependida. Mas fechei os olhos e comecei a me lembrar de como tudo começou... De como entramos num apartamento vazio tendo apenas um colchonete e uma TV emprestados, uma geladeira anos 50 que havia sido da minha avó, um fogão que já estava no imóvel e... nossos corações repletos de amor e de esperança! Ao reviver o sentimento imenso que tínhamos um pelo outro, as lágrimas rolaram pelo meu rosto e a tatuadora achou que eram de dor... Mas eram de felicidade...

E agora, 21 de outubro de 2010, data em que comemoramos 17 anos de namoro, recebi o que nunca esperava. Afinal, eu não tinha me tatuado esperando retorno. Foi apenas uma declaração de amor. E ela voltou para mim amplificada. Em letras quase garrafais, no peito, para todo mundo ver, Rômulo tatuou também Neoqeav. Eu quase tive um troço quando vi. Nunca imaginei que pudesse receber um presente tão maravilhoso!!!! A sensação de ver o amor estampado na pele é inenarrável. A minha tatuagem é menor e escondidinha... Mas o Rômulo não quis esconder de ninguém um fato raro: 17 anos depois, a gente continua se amando... E o grito, que antes era para ser ouvido só por nós dois, agora ecoa para quem quiser escutar: NÃO ESQUEÇAM O QUANTO A ANA E O RÔMULO SE AMAM...

O engraçado é que ele confessou que fazer essa tatuagem também doeu à beça. Mas, no dia seguinte à surpresa, me telefonou e disse: “Não me arrependo, em nenhum instante, da dor que senti. Faria tudo de novo só para ver novamente a sua cara emocionada.”

O Rômulo tem essa capacidade de me fazer rir a maior parte do tempo e de me fazer chorar de emoção. Está certo que temos nossos momentos “chatinhos”, senão ele não seria meu marido, e sim um amigo com quem adoro sentar para tomar um chope. Mas, acima de tudo, Rômulo desperta em mim uma profunda admiração. Por tudo, tudo, tudo o que ele é (e quem o conhece sabe que homem é esse que eu tenho a meu lado). E acho que você admirar a pessoa que está com você é meio caminho andado para querer ficar com ela para sempre.

Esse post é para você, meu amor! Nunca esqueça o quanto eu amo você... Nunca esqueça que eu quero estar sempre com você...


Pequenas declarações de amor no dia-a-dia são como adubo, que vai deixando a planta-casamento sempre viçosa. Grandes declarações de amor como essa são como a força da água, capaz de gerar energia para o casamento se manter aceso por muitos e muitos anos.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Uma criança pra chamar de sua

Ele chegou até nós pelo correio. Não houve cegonha, inseminação artificial, nem visitas burocráticas a assistentes sociais. Mesmo assim, a alegria foi imensa. Na noite de segunda-feira, véspera do Dia das Crianças, Rômulo me entregou um envelope e pediu que eu o abrisse. Fui rasgando o papel com grande expectativa, diante do imenso sorriso de meu marido. E quando de dentro do envelope saiu a foto de um menino com semblante meio “monalisa” (não sorria, mas expressava tanta coisa em seus olhos), fiquei extasiada e com lágrimas nos olhos.

– Você adotou uma criança?

– Sim, ainda não é o filho que iremos adotar um dia,?mas já é um começo... – respondeu meu marido, lembrando do compromisso que assumimos 17 anos antes, quando decidimos ter três filhos: dois de sangue, um adotado.

Luis Felipe era o nome dele. Oito anos, morador do Jardim Primavera, comunidade em Caxias onde predomina o trabalho informal. E, veja só que situação, o pequeno já trabalha com a família... Mas também estuda (diz adorar matemática!) e tem o futebol como brincadeira favorita. Ele é uma das muitas crianças que fazem parte do projeto Visão Mundial, que promove o apadrinhamento de crianças carentes. Na verdade, Luis Felipe não se tornou nosso filho adotivo, e sim nosso afilhado. Mas o sentimento de amor por ele foi como se realmente o estivéssemos recebendo em nossa casa.

Por apenas R$ 40 mensais, vamos ajudar a melhorar um pouquinho a vida desse menino. E iremos trocar cartinhas, dar presentes em datas especiais e até mesmo um dia visitá-lo. Mas o principal é que esse dinheirinho – que gastamos mole, mole numa mesa de bar ou numa ida ao cinema – irá ajudar a Visão Mundial a combater a desnutrição infantil, dar assistência médica, estimular o estudo das crianças e gerar o desenvolvimento econômico das comunidades auxiliadas através da implementação de projetos.

Está difícil de entender como é possível fazer tanto com tão pouco dinheiro? Então visite o site da Visão Mundial (www.visaomundial.org.br). Você irá se encantar com esse projeto que age em quase cem países e que vem ajudando, há 60 anos, um número imenso de famílias pelo mundo. Porém, mais do que apenas conhecer o site, apadrinhe uma criança! Tenho certeza de que você sentirá uma satisfação incrível e irá preencher a sua vida – sim, a sua vida! – com este ato de amor que custa tão pouco.

Olha, eu faço essa propaganda de coração. Não estou ganhando nada com isso... Mas veja só o tanto que vou ganhar se conseguir te convencer a garantir o sorriso de outras crianças...

Fico só imaginando que, numa próxima foto que eu venha a receber do Luis Felipe, ele estará sorrindo...

OBS: A foto acima é a do Luis Felipe, trabalhada no photoshop para proteger sua imagem. O sobrenome dele também foi omitido.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Comer, rezar, teclar

Chegou na minha caixa postal (e na dos meus irmãos) um e-mail que jamais imaginei receber:

“Socorro! Não consigo escrever nada, não sei como vocês conseguem, acho que foram trocados na maternidade!

Vou tentar outra hora, cansei.

Até domingo, se eu sobreviver.

Beijos, Guilhermina”

Caí na gargalhada quando li isso. Guilhermina vem a ser nada menos que minha mãe. Aos 74 anos, ela teimou em fazer curso de computação e, depois de muito reclamar das aulas arrastadas, finalmente chegou ao ponto que queria: usar a Internet. Mas, pelo visto, ela vai continuar reclamando enquanto não domar esse touro bravo – pra ela – que é o mundo virtual.

Em poucos minutos na rede, minha mãe logo cansou. E eu me pergunto: cansou de quê? Tem algo melhor do que navegar na Internet, gente? Bem, se você está lendo meu blog NA INTERNET, tenho certeza de que a resposta é sim. Você – assim como eu – deve fazer parte da turma dos dependentes cibernéticos que, se logo cedo não ler os e-mails, entrar no Facebook e acionar o Twitter começa a ter síndrome de abstinência. Daqui a pouco vão criar mais um grupo de ajuda mútua: os I.A., internéticos anônimos. E nos encontraremos todos lá na reunião... Só por hoje não vou ligar o computador! É ruim, hein?

Meu amigo Aloísio Aguiar conseguiu essa proeza. Durante sua viagem de férias, não chegou perto de computador! Quando o reencontrei, perguntei como haviam sido suas férias. Ele abriu um sorrisão e disse: “Maravilhosas! Tirei férias, principalmente, do computador.” É verdade... Ele estava satisfeito com isso. E eu, só de pensar, começo a ter delirium tremens...

Mas taí um desafio que seria interessante para todos nós, dependentes internéticos. Ficar off durante uma semana – ou um dia, pelo menos. Quando fui obrigada a passar por essa tortura, durante um pau no meu computador, ouvi de uma das minhas filhas: “Poxa, mãe, você sem computador é outra pessoa... Você brinca com a gente...” Engoli em seco. Minha filha estava certa. Ainda assim, bastou a máquina ficar pronta e eu voltei pra mesma vida desregrada.

E o pior é que o problema parece ser genético. Meu irmão Luiz – outro que foi trocado na maternidade! – me escreveu dizendo que estava sem tempo de fazer uma determinada coisa, porque suas “necessidades internéticas” o estavam consumindo. E ele bem definiu: “Internet agora virou coisa fisiológica, cada vez menos virtual...” Bingo! É isso! Eu acordo, faço uma prece, escovo os dentes, vou ao banheiro, tomo café e ligo o computador! Não consigo sair de casa sem cumprir essa rotina. E não raro chego atrasada aos compromissos porque fiquei teclando.

Falando nisso... caraca, vou chegar atrasada de novo! Fui!

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Eleitos pelo povo

Janeiro de 2011. Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Cerimônia de posse dos deputados estaduais eleitos.

Na primeira fila, estão sentados aqueles que vieram botar pra quebrar: Loura Braço Forte, Robson Vandamme, Arlete Karatê, Fernando Paulada, Mano Dirigindo a Luta, Hugo Camburão, Hilda Furacão, Fausto 100 Por Cento e Eu Faz.

Espalhados em pontos estratégicos, para semear a concórdia na Assembleia, encontram-se os deputados mais paz e amor: Peçanha Amigo de Todos, Nilson o Abençoado, O Gente Nossa, Marcos Manso, Lucílio Pobre Ajudando Pobre, Lima do Bem, João Família, Giba Sangue Bom, Coca Amigo da Comunidade, Carlinhos um Homem de Deus, Broder e os barbudões Maluco Beleza e Papai Noel.

Gratificante é ver a diversidade de classes trabalhadoras que conseguiu eleger seus representantes. Os vitoriosos Cícero Camelô da Central, Dabi Baleiro, Hugo Pipoqueiro, Damião Mecânico, Chico Borracheiro, Didi Caminhoneiro, Fabio do Táxi, Claudioci das Ambulâncias, Marcone da Kombi, Baixinho do Gás, André Pescador, Ana Copeira, Alamir Artesão do Vime, Betão do Saneamento, Didiu Jornaleiro, Isabel da Limpeza e Jonas da Reciclagem são alguns exemplos de que o povo – o povão mesmo – sabe votar.

Mas, pra não dizer que apenas as profissões mais simples estarão protegidas, a classe médica também elegeu seu deputado: Dr. Ogando (que, numa fala rápida, pode ser chamado de ‘Drogando’).

Quando deu meio-dia, nossos deputados estavam morrendo de fome. Foi então que Paulo Gulosinho, Fernando do Comilão, Jorge Barriga, Papinha, Manteiga, Camarão, Feijão, Filé, Ludivan Batata, Nelson Cebola, Salathiel Salada, Uzia Mocotó e Valdecir da Batata Frita se manifestaram, lembrando que, para comemorar, todos poderiam seguir para o estabelecimento do colega eleito Otávio do Churrasco. A alegria foi geral!

Já no restaurante, os nobres deputados resolveram tirar a tarde de folga e promover um arrasta-pé no local. E, como vivemos numa democracia, não houve briga quando as carrapetas foram divididas por DJ Clovão, MC Geleia e Amarildo do Samba. Gustavo Tutuca, Jussara Hu Hu e Maria Chupetinha requebraram até o chão!

Fim de tarde, o pessoal começou a dispersar. Mas não sem antes aceitar a sugestão de Geraldo Pudim, Xoquito, Messias o Garoto Bombom, Mulher Melão, Miguel Banana e André Banana para comer as sobremesas.

Na hora da despedida, Bicho de Pé Já É dizia seu jargão pros caros colegas: “Aê, já é, galera! Tamo junto até 2014!

Jorge Bombril concordou: “Tamo junto mermo! Pra mil e uma utilidades!

Vicente Sorriso saiu da churrascaria mostrando os dentes brancos pra alguns paparazzi que flagraram a farra dos deputados eleitos.

E Sergio Esperança foi o último a partir, deixando no ar a sensação de que a esperança de um Brasil melhor é a última que morre...

Nota da blogueira: Todos esses nomes foram tirados da listagem de candidatos que concorrem à vaga de deputado estadual no Rio de Janeiro. Minha pretensão não foi agredir ou desmoralizar qualquer candidato, os quais sequer conheço as trajetórias profissionais e políticas. Quis apenas exercitar minha liberdade de expressão e fazer uma brincadeira com a diversidade de candidatos. Por favor, peço que os nomes citados não se sintam ofendidos!

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Provador ou câmara de tortura?

Se isso nunca aconteceu com você, ou está mentindo ou é muito privilegiado pela genética. Diga lá se não é verdade: entrar no provador de grandes magazines é uma verdadeira tortura! Naqueles boxes espaçosos, com espelho de cima a baixo e iluminação hipermegapower, você vê quem realmente é. Ou quem realmente você se transformou. Pula banha pra tudo quanto é lado!!!! E até mesmo as ainda disfarçáveis rugas de expressão fazem questão de gritar: “Ei, tô aqui... Tô chegando com tudo... E pra ficar!

Minha mãe, há alguns anos, me telefonou super pra baixo. Perguntei o motivo. “Hoje fui comprar um maiô. Entrei no trocador pra experimentar e, quando tirei toda a roupa e me olhei no espelho, não me reconheci. Que coisa horrível eu me transformei!”, confessou minha mãe, a-r-r-a-s-a-d-a!!! Na hora, fiquei com uma pena danada dela. Muito difícil envelhecer, ver o corpo mudar tanto. Ainda mais porque minha mãe pertence àquela faixa de mulheres que não conheciam academia, cremes firmadores, nem mesmo os benefícios de uma simples caminhada. Isso é coisa de 30 anos pra cá. E 30 anos pra lá minha mãe já tinha 40 e já estava meio caidinha e com a cabeça arraigada de que “nada posso fazer por mim”.

Pois é... Os anos são implacáveis com todas nós (ou com quase todas nós, porque estão aí pra desmentir essa verdade a Vera Fischer, a Betty Faria, a Christiane Torloni, a Ângela Vieira, a Cissa Guimarães e tantas outras mulheres que sabem envelhecer mantendo suas barrigas de tanquinho). Mas eu, infelizmente, não pertenço a essa categoria. Foi então que, no sábado, estava no trocador de uma megaloja quando me despi e... meldeus! Tô ficando igual a minha mãe! Quase cantei como a Maysa: “Meu peito caiu e me fez ficar assim...” Ou então como a Bethânia: “Olhos nos olhos, quero ver quantas rugas traz...”

Gente, pra que tanta luz nos provadores? É pra gente sair de lá direto pro analista? Ou pro Vigilantes do Peso? Deve estar havendo alguma venda casada nessas lojas de departamento... Não é possível! Acho que vou fazer uma denúncia ao Procon! Em casa, os espelhos são nossos melhores amigos. Mentem para o nosso bem! A gente se olha e se vê poderosa! Mesmo com a barriga saliente ou com ruguinhas inconvenientes, nosso reflexo é sempre melhor do que realmente somos. É como se fôssemos a madrasta da Branca de Neve e ouvíssemos de um amedrontado espelho: “É claro que você é a mais bela!” E aí a gente vai embora pro cinema, pro trabalho, pra padaria, pro supermercado se achando!

Mas, no sábado, saí do shopping me achando também. Me achando gorda e velha! Não, mas eu não podia me entregar à depressão! Precisava reagir e levantar a moral naquele fim de noite. Afinal, não sou mulher de esmorecer! Pra apagar da minha mente aquele reflexo infame, fui pra pizzaria com as minhas filhas e comemos uma grande com catupiry acompanhada por dois chopes (meus, é claro!). Saí de lá mais leve...

Depois tem gente que não sabe por que fica deprimida...

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Por que ver Nosso Lar

Foi uma surpresa, na última sexta-feira, ver no jornal O Globo a crítica ao filme Nosso Lar. O bonequinho estava deitado na poltrona, dormindo. Obviamente, não levei aquilo a sério. E no sábado – após ter esperado ansiosamente por esse dia – lá estava eu sentada no escurinho do cinema para assistir ao filme.

De certa forma, tive que concordar com o bonequinho: o ritmo do filme é um pouco lento, sim. Mas isso é o de menos... Nosso Lar é lindo! Tá certo que eu sou suspeita para falar. Sigo a doutrina espírita há 22 anos e o primeiro livro que li foi justamente Nosso Lar. Na época, a história de André Luiz mudou minha visão da vida e da pós-vida. Foi o pontapé inicial para que eu ficasse mais esperta em relação às minhas ações, para que pudesse colher boas reações. Ao mesmo tempo, a leitura de Nosso Lar não colocou uma faca no meu peito dizendo: “Seja boazinha, senão você vai pro umbral!” Apenas me avisou: “A cada vez que você errar, há chances de recomeçar. O importante é seguir em frente rumo à evolução.”

Pois 22 anos depois lá estava eu tendo o prazer de ver aquela leitura transformada em filme de altíssima qualidade. E foi uma alegria estar sentada ao lado de minha filha de 12 anos, que ainda não leu o livro, mas amou o filme. Gostaria muito que Nosso Lar operasse mudanças em muitas pessoas, como aconteceu comigo tanto tempo atrás. Sei que tem gente que irá considerá-lo a mais pura ficção científica. Parece mesmo. Mas não é! Vi na telona o que acontece na minha rotina em cura espiritual, trabalho que humildemente tento desenvolver no MAP. Os mesmos movimentos das mãos do “curador”, a mesma luz verde sendo emanada das palmas das mãos (como tantas vezes projetei para os “pacientes”), o mesmo amor sendo distribuído aos que sofrem!

E como explicar que, nos anos 30, a colônia espiritual já tivesse aqueles computadores de tela plana, que só vieram a se tornar realidade para nós décadas depois??? E quanto ao autobus??? Já há alguns anos cientistas vêm tentando desenvolver essa tecnologia... E, em junho, saiu em todas as mídias a notícia de que carros voadores tinham sido aprovados nos Estados Unidos. Veja em: http://info.abril.com.br/noticias/ciencia/carro-voador-e-aprovado-nos-eua-30062010-20.shl Com o trânsito insuportável do jeito que está, não demora muito para termos coletivos voadores por aí... E isso corrobora o que foi dito no filme: primeiro as coisas são inventadas no plano espiritual, depois chegam para nós. Só espero que em breve tenhamos também dirigentes que dão exemplo, curas feitas sem medicamentos complicados, lares para todos e, claro, um sentimento de fraternidade tão grande como o existente em Nosso Lar.

Estamos vivendo um momento muito bacana... A tríade corpo-mente-espírito vem sendo tratada de maneira cada vez mais aberta e abrangente. Tem novela sobre o assunto, tem filme, tem peça, tem proliferação do tema em rádios, livros, Internet... É o boom de uma mudança de percepção! De uma vida menos material para uma vida com maior integração espiritual. Isso é bom demais! E posso dizer que as pessoas que receberam a missão de cumprir esse papel de divulgadoras dessa realidade são muito abençoadas... e humildes. Vou dar um exemplo.

Há cerca de um mês, estava no MAP quando fui surpreendida pela presença do diretor de Nosso Lar, Wagner de Assis, que faria uma minipalestra sobre o filme. Ao final de sua apresentação, eu estava sentada no pátio quando o sorridente diretor passou ao meu lado, indo em direção a seu carro. Num impulso que não sei de onde tirei, me levantei subitamente e lhe disse: “Posso te dar um abraço?” Embora surpreso, ele aceitou. Foi um abraço que durou alguns segundos, o suficiente para eu sentir aquela troca amorosa de chacra cardíaco para chacra cardíaco. Sem estrelismos! Ao final, o parabenizei por ele ter conseguido transformar em realidade o sonho que acalentou há tantos anos: levar Nosso Lar a um público maior, ao cinema!

Ao abraçar Wagner de Assis, me senti abraçando todos aqueles que sonham... Todos aqueles que vêm com uma missão bonita a desenvolver na Terra. Espero, de alguma forma, poder fazer parte desse time. E, um dia, ser moradora de uma colônia tão abençoada quanto Nosso Lar.


terça-feira, 24 de agosto de 2010

E-book: invenção do mundo espiritual?

Estou relendo o livro Violetas na Janela, do espírito Patrícia, que foi lançado em 1993. Para quem não sabe, é um best-seller da literatura espírita que narra a vida pós-desencarne de uma jovem de 19 anos. Patrícia conta como é a vida na colônia espiritual onde é recebida, e muito do cenário é cópia quase fiel de tudo o que temos na Terra. Só que, na verdade, é justamente o contrário: a vida aqui é que uma é cópia do que há no mundo espiritual. Existem planos muito evoluídos e, aos poucos, vamos sendo merecedores de incorporar os avanços de lá nas descobertas de cá. No momento adequado, o grande arquiteto do Universo foi nos permitindo descobrir a roda, a carruagem, o carro, o avião, o foguete... A água oxigenada, a penicilina, o coquetel anti-HIV, as terapias com células-tronco... O papiro, o pergaminho, o livro, o computador, o e-book...

Sim, o e-book! Lendo ontem o livro para minhas filhas – a cada semana, estou lendo um pouco para elas –, me deparei com um capítulo que falava sobre algo muito semelhante à leitura digital que temos agora. Quando devorei Violetas pela primeira vez, nos anos 90, me surpreendi com isso, mas nem me lembrava mais... E, ontem, fiquei de queixo caído: Patrícia descreve sua ida a uma biblioteca, na qual entra em contato com livros tradicionais e com livros os quais ela lê numa espécie de tela de TV! Como essa tecnologia ainda não existia aqui, ela não consegue transcrever exatamente em palavras o que é aquilo. Mas comenta que é muito prazeroso ler os livros daquela maneira.

Isso me fez pôr por terra a ideia de que os e-books talvez não caiam no gosto popular... Um dia, vão sim! Patrícia conta que livros físicos, digamos assim, convivem bem com os tais e-books nas bibliotecas. Isso também me faz respirar aliviada quanto a um receio que ronda os amantes do livro tradicional: é possível, sim, uma convivência pacífica entre ambos. Se lá no mundo espiritual isso ocorre naturalmente, tem tudo para dar certo aqui entre nós, encarnados.

Há partes do livro de Patrícia, porém, que beiram à inverossimilhança. Ainda na biblioteca, ela conta que pediu um livro ao bibliotecário, mas não havia no local e ele disse que iria solicitar a outra biblioteca. Ela então fala: “Volto outro dia pra pegar.” Mas o bibliotecário diz que basta esperar dez minutos. E assim, numa espécie de troca de e-mails 4D, ele faz o pedido e, na outra biblioteca, o livro é colocado num aparelho que o desintegra e o envia ao solicitante, reintegrando-se novamente para ser emprestado a Patrícia. Minha caçula – sempre ela – lançou a pérola (até que bem inteligente): “Mas, mãe, esse livro também tem umas mentiras, né?” Sinceramente, acho que não... Patrícia escreveu: não vai demorar muito, os encarnados terão essa tecnologia à sua disposição. NÃO VEJO A HORA!

E sabe por que eu acho que Violetas na Janela não é mentiroso? Vou contar... Isabel trabalhava na casa de meu ex-namorado e era (ou é? Por onde anda você, minha querida?) uma pessoa humilde, com pouco estudo... Dona de um coração enorme, ela era dotada de um dom: tinha sonhos premonitórios (ou, no mínimo, muito significativos). Fazia pouco tempo que a irmã de Isabel tinha desencarnado e ela me contou que, num sonho, a irmã lhe disse que assistiu a todo seu velório e enterro numa espécie de televisão. Quando Isabel me contou isso, fiquei arrepiada: eu havia lido há pouco tempo o livro de Patrícia e ela descrevia, justamente, essas TVs que permitiam aos desencarnados verem o que acontecia aos encarnados. Emprestei o livro a Isabel e ela me confirmou: “É isso mesmo que vi no sonho...

Verdades ou mentiras? Crenças de uns, descrédito de outros? Bem, eu faço parte da turma que acredita. E me deu um conforto muito grande saber que, quando eu fizer a minha passagem, terei à minha espera uma biblioteca tão especial. E muito mais coisas boas, como descreve Patrícia em seu livro. Um mundo espiritual onde há cinemas, teatros, aerobus (uma espécie de ônibus confortável e não poluente que flutua rente ao solo), uma arquitetura bem planejada, ruas arborizadas... Um local onde estudamos e trabalhamos. Sim, trabalhamos... E onde recebemos bônus-hora como salário para ser gasto, exclusivamente, com o lazer. Ou, se já somos mais evoluídos, onde trabalhamos apenas pelo amor, pelo prazer de servir.

Essa semana fui a um enterro. O padre terminou suas preces dizendo: “Descanse em paz.” Descansar? Quem quer descansar num mundo espiritual como o pintado por Patrícia?

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Diga-me que roupa usas que eu te direi quem és

Alex era um típico garotão carioca, acostumado a usar bermuda e camisa de malha. Nos pés, havaianas, claro. Como já estava deixando de ser garotão faz tempo, seu pai deu a prensa: “Vai trabalhar, vagabundo!” E o rapaz, lamentando o fato com seus amigos da praia, ouviu de um deles: “Pô, cara, ontem mesmo meu pai disse que tem uma vaga de auxiliar de escritório na empresa dele. Se quiser, a vaga é sua.”

– Já é!

– Formô! Mas tem um lance... O pessoal lá no trabalho do meu pai só anda na beca. Vai ter que caprichar.

Alex topou o desafio. No dia da entrevista, abriu seu armário e se perdeu no meio de tantos bermudões e camisas de malha. De melhorzinho havia calça jeans e camisa pólo. O jeito foi assaltar o armário do pai e confiscar uma calça preta e uma camisa social azul. Para os pés, afanou um sapato preto estilo Vulcabrás (“Nossa, meu pai nunca ouviu falar em Mr. Cat?” – pensou Alex).

E lá foi ele para o ponto de ônibus, todo engomadinho. Fez sinal. O ônibus parou, mas o motorista não abriu a porta dianteira para que Alex entrasse. Sem dizer nada, gesticulou para que o rapaz entrasse por trás. Alex ficou com aquela cara de que não era com ele. E o motorista insistindo. Até que o rapaz, pensando em se dar bem, aceitou o convite. Dentro do ônibus, ouviu:

– Pô, parceiro, tá querendo dar dinheiro pro dono da empresa por quê? Já não basta a porcaria de salário que a gente recebe?

Alex engoliu em seco. O motorista havia achado que ele também era da classe.

– Podecrê, mano... Valeu merrrmo – era melhor agradecer do que deixar aquela situação ainda mais constrangedora.

Chegando ao prédio onde ficava a empresa do pai de seu amigo, entrou no elevador cheio e ficou posicionado bem ao lado das teclas dos andares. Apertou o 15 e nada de o elevador subir. Poucos segundos depois, um velhinho entrou no elevador e, mesmo também estando perto das teclas, virou-se para Alex e disse:

– Vigésimo-terceiro, por favor.

Alex achou que não haveria mal algum em fazer a gentileza, mas não entendeu o porquê. Se o velhinho também estava próximo do comando, não poderia ele mesmo tocar no andar que queria ir?

E o elevador lá parado, esperando-se sabe o quê.

Mas eis que veio correndo um senhor de uns 50 anos, vestindo calça preta, sapatos Vulcabrás e camisa social azul. Pediu desculpas pela demora e assumiu seu posto no alto banco ao lado do controle dos andares. E só assim o elevador subiu.

Alex já estava pra lá de bolado... Chegando na entrevista, conseguiu a vaga, lógico. Seu pistolão da praia era forte. Ao ir embora, porém, ouviu uma recomendação do seu futuro chefe:

– Olha, rapaz.... No setor que você vai trabalhar, não precisa vir assim vestido de motorista de ônibus, nem de ascensorista. Pode vir de jeans e camisa de malha mesmo.

Alex foi embora p. da vida, preferindo descer as escadas e voltar a pé pra casa.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Paixão primeira

Aos 8 anos de idade, vivi intensamente a minha primeira paixão. Não, não foi por um coleguinha da escola. Ele era um homem maduro, que cantava uma poesia linda... E que só vivia cercado por mulheres jovens e bonitas, por muitos amigos e por um copo de uísque. Vinicius... O nome dele era Vinicius... de Moraes! Sim, acredite: eu tinha 8 anos e queria me casar com Vinicius de Moraes! Eu o achava lindo, encantador. Seu sorriso, sua alegria, sua jovialidade naqueles cabelos brancos arrebatavam meu coração. Sinceramente, não sei dizer como essa paixão teve início. Só sei que ela era real e não apenas uma chama. E continua infinita, porque ainda dura...

E como sofri, dois anos depois, quando o “meu” Vinicius foi tomar seu uísque no andar de cima. Poxa, eu queria ter sido a décima esposa dele! Ou a décima-primeira, a décima-segunda... Mas, como uma boa viúva, cultuei esse amor ao longo de minha vindoura vida. Nos anos 80, fui uma adolescente que curtia Bossa Nova e que, em vez de comprar apenas os livros da moda, lia as poesias de Vinicius. Quando me casei, meu marido teve que aceitar esse “outro” entre nós. Um dos primeiros CDs que comprei pra nossa casa foi o de Vinicius. Mas, como meu marido não é ciumento, no meu aniversário desse ano me deu de presente mais um CD do Poetinha.

Apesar de todo o meu amor, cometi uma gafe terrível com o meu querido Vinicius. Não fui assistir ao documentário sobre a vida dele no cinema, lançado com sucesso há cinco anos. Não me pergunte por quê... Nem eu sei... Mas hoje aluguei o DVD e o assisti. E estou aqui deleitada! Não era à toa que eu amava esse homem. Seu estilo de vida parecia um prenúncio de mim mesma. Eu me reconheci em vários detalhes da personalidade de Vinícius: um homem que fazia questão de ter mais e mais amigos, que abria as portas de casa para recebê-los, que não suportava preconceitos, que vivia sorrindo, que era muito generoso, que estava sempre endividado por achar que dinheiro era pra se curtir a vida, que adorava a boemia, que era desbocado (ai, meu Deus, me esforço pra corrigir isso!), que seduzia pelo seu jeito de ser (não por sua aparência), que via sempre o lado bom das coisas. Peço desculpas ao amigo leitor se estou me achando ao me comparar a Vinicius. Mas quem me conhece sabe que eu sou assim mesmo.

Sei que também nasci com um talento para as letras – e este, sim, eu não ouso comparar ao talento do poetinha! Mas chego a pensar que, se não ando mais pra frente com meus escritos, é justamente por seguir a linha de Vinicius num momento em que o mundo não é mais um cantinho, um violão. É como bem definiu Chico Buarque no documentário: “Não sei onde estaria Vinicius de Moraes hoje em dia, porque ele é o contrário de muita coisa que hoje é vitoriosa. Ele tinha essa coisa muito genorosa, às vezes ingênua, às vezes porra louca. Coisas que não existem mais hoje: nem a porra louquice, nem a generosidade, muito menos a ingenuidade. Há sempre um resultado que se busca, um objetivo, uma coisa pragmática, tudo o que Vinicius não era. Talvez ele não pudesse estar vivo hoje, sendo Vinicius, no mundo que a gente vive.

E aí eu pergunto, meu querido Vinicius, o que faço agora se sou tão parecida com você, mas vivendo os tecnológicos anos 2000, e não a doce década de 50? Acho que você responderia em versos: “Ando onde há espaço. Meu tempo é quando.

O meu tempo é quando... Quando?

Enquanto o quando não chega, vou seguindo sua fórmula: é melhor ser alegre que ser triste, alegria é a melhor coisa que existe!


Um brinde a você, Vinicius! Saravá, onde que quer esteja!


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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Um sorriso que não se apaga

Lá vinha ele, empurrando sua carrocinha. Um homem franzino, costas já um pouco curvadas pela idade. Todos os dias parava na mesma praça e vendia seus produtos: doces, caramelos, biscoitinhos e... sorrisos.

– O que vai hoje, freguesa? Bombom recheado com avelã?

– Hoje não quero nada... Tô de dieta...

– Mas então leve o meu sorriso. É de graça!

E a cliente saía de lá com as mãos vazias, mas com o coração cheio.

Um menino chegou correndo até o “velho” amigo. Abraçou as pernas do vendedor e lhe abriu os lábios, mostrando a janelinha.

– Que belo sorriso, Dedé! Do jeitinho que eu te ensinei... Seu dentinho caiu, mas você continua muito bonito – disse o vendedor, entregando ao seu cliente fiel o saquinho de jujuba de sempre. Não sem antes, claro, de retribuir a gentileza.

Todo mundo lá na praça sabia que o vendedor era assim. Com chuva ou com sol, gripado ou saudável, em dia triste ou em dia feliz, lá estava ele compartilhando seu semblante amigo com toda a freguesia.

Mas, numa manhã nublada, ele não apareceu para iluminar a praça. O açougueiro do bairro estranhou. O padeiro também. E as crianças e suas babás tiveram que levar o dinheiro do docinho de volta pra casa. Dia seguinte foi a mesma coisa... Por onde andava o vendedor sorridente?

Para as crianças, a praça perdeu um pouco de sua cor. Para os adultos, não havia mais aquela pessoa querida que já fazia parte do cenário. Era como se a praça não fosse a mesma. Como se um atração turística tivesse deixado de existir.

Todos começaram a pensar que ele havia morrido... Até que o vendedor de balões, que só batia ponto na praça nos fins de semana, chegou com a notícia:

– Ele é meu vizinho. Ouvi dizer que está muito doente... Internado...

Foi uma tristeza só! Mas, naquele sábado, a tarde na praça foi diferente. Ela ficou vazia. Açougueiro, padeiro, vendedor de balões, babás, mamães e crianças seguiram para o hospital. Todos estavam muito preocupados, com medo de que aquele sorriso se apagasse de vez.

Chegando na grande enfermaria, porém, que surpresa... Vestindo o camisolão hospitalar, lá estava o velho vendedor de balas, indo de leito em leito dividir o seu sorriso...

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Bons tempos eram aqueles?


Percebo à minha volta uma fase saudosista meio generalizada. No meu Orkut, vira e mexe tenho postado fotos antigas, de um PB amarelado ou com a cor totalmente diferente das imagens digitais de hoje. E essas fotos fazem sucesso! Muitos amigos comentam e aproveitam para também divulgar suas fotos do ontem. Até minha filha, do alto de seus 12 anos, curte escanear e postar suas fotos de quando bebê ou menorzinha. Ela também sente saudades do tempo que ficou pra trás. E olha o tanto que ela ainda tem pra viver pela frente, né?
No Facebook, reencontrei uma amiga de adolescência muito querida e ela ontem adicionou uma foto de sua turma de colégio. No meio de tantas carinhas jovens, identifiquei minha amiga, com seus cabelos longos e sorriso franco. Aquela mesma amiga que vivia comigo pelas ruas do Flamengo e pelas noitadas na Barra. Uma imagem que ficou perdida nos idos anos 80. Então escrevi o seguinte comentário: "Ai, que linda! A Tati da minha adolescência." E ela respondeu: "Saudades destes bons tempos, Aninha..."
Bem, alguém me chamar de Aninha atualmente já é um saudosismo! Hoje escuto mais senhora, dona Ana, tia... Só os amigos antigos (xiii, "antigos" é brabo!) lembram que esse era o meu apelido. O que mais me chamou a atenção, porém, foi o "Saudades destes bons tempos...". Pensei se eles foram bons mesmos. Espinhas, cabelo difícil de arrumar, amores platônicos, hormônios a mil, incertezas... Mas tinha também uma liberdade pulsante (apesar de ter que dizer pra mãe cada passo que a gente ia dar), corpos rijos (e seios em riste, isso sim dá saudade!!!), a certeza de tudo saber (hoje, só sei que nada sei...), um mundo pela frente! É... Foi uma fase boa mesmo!
Só que eu não sou do tipo que diz: "Aqueles é que eram bons tempos..." Pra mim, todo tempo é bom. Teve a infância, a adolescência, o início da fase adulta. Faculdade, primeiro emprego, formatura, primeiro emprego duradouro, casamento, gravidez, filhos... Para alguns teve o divórcio e um novo casamento. E todos nós - da geração 80 - estamos vivendo agora a força da gravidade sobre nossos corpos, a mudança das linhas de nosso o rosto e da cor de nossos fios de cabelo. Mas com isso tem vindo também um delicioso amadurecimento que faz, justamente, a gente achar que o O BOM É O AGORA. O ontem foi uma delícia, mas ainda era meio capenga de maturidade. E o amanhã... Ah, o amanhã... Estaremos no auge da sabedoria nesta existência!
O amanhã tem tudo para ser ótimo se nos permitirmos viver o hoje com alto astral, com o plantio de boas sementes, com exercícios físicos, com alimentação saudável (regada a um vinhozinho, pra desentupir as artérias e porque ninguém é de ferro!), com muito lazer, com menos trabalho, com a prática da fé e... com a prática de muita palavra-cruzada!!! Só assim pra gente manter a mente afiada e jamais esquecer de quem fomos ontem. E lembrar sempre que, com todos nossos erros e acertos, tivemos bons tempos em todas as fases de nossas vidas.


Foto 1 - Eu com 7 meses, sempre sorrindo...
Foto 2 - Meus amigos da escola no churrasco que comemorou nossa formatura. Eu sou a de maiô preto, no canto direito da foto, sempre rindo...
Foto 3 - Eu hoje, com minhas ruguinhas, meu corpo transformado, mas sempre rindo...

terça-feira, 6 de julho de 2010

Que saudades de 1982...

Não queria escrever sobre o nosso fiasco na Copa de 2010... Mas aí me lembrei de um antigo diário que eu guardo até hoje no fundo de uma gaveta. Nele, desaguei minha tristeza quando o Brasil perdeu a Copa de 1982. Nossa, como eu chorei naquela ocasião! Um timaço que tinha Zico, Sócrates, Falcão e cia. Eles entravam em campo e exibiam um futebol arte! Iam derrubando um a um, até que um tal de Paolo Rossi foi a pedra em nosso caminho.

A pedra em nosso caminho agora foi a própria seleção. Meio desencontrada, meio sem brilho... Tropeçando em seus próprios pés. Mas o nosso coração brasileiro lá, torcendo, vibrando e... sofrendo. Mas não! Agora não chorei por nossa derrota, não! Tenho contas pra pagar, filhas pra cuidar, quilos a perder... e os jogadores estão lá, cheios de grana e fama. Depois que virei “gente grande”, não choro mais por Copas perdidas. Fico só um pouco mal-humorada, rsrsrs. Mas, quando eu tinha 13 anos, vivi a Copa do Mundo com toda a intensidade, indo do paraíso ao inferno. E divido aqui com vocês o meu sofrimento em 1982:

Rio, 5 de julho de 1982

Diário,

Você não sabe como estou triste. Sabe, nós estamos na Copa do Mundo, e o Brasil estava se mostrando muito bem, ganhava de todos os times e conseguiu passar pela 1ª fase com goleadas. Jogou com a U.R.S.S. (2X1), com a Escócia (4X1) e com a Nova Zelândia (4X0). Realmente nossa seleção era a favorita, até goleou a Argentina (isso já foi na 2ª fase) por 4X1. Mas quando foi jogar com a Itália, só precisava do empate para passar para as semifinais e chegou a empatar (2X2). Mas tentou atrasar o jogo e segurar a bola e não deu outra: Itália 3X2.

Todos os brasileiros estavam confiantes, o Rio de Janeiro estava todo enfeitado com bandeiras, tirinhas verde e amarelas e os muros e até o asfalto estavam todos desenhados com o Pacheco, Naranjito e muitos outros símbolos da Copa. Foi uma surpresa a derrota, todos nós ficamos tristes, choramos e faço idéia como estão os jogadores e o técnico Telê Santana. Devem estar arrasados. A equipe volta amanhã e ouvi no rádio que os torcedores irão para a Avenida Brasil esperar a chegada dos jogadores com bandeiras e aplausos. Isso é muito bonito, pois sabemos o quanto foi dado de esforço para eles conseguirem chegar até onde chegaram. E ouvi também em uma reportagem que os próprios italianos diziam que podiam até ganhar do Brasil, mas que por todo o mundo a vitória da Copa seria considerada nossa.

Um beijão um pouco triste,

Ana

O mais engraçado nisso tudo é ver que, naquela época, detonamos a Argentina (com Maradona em campo!) e que os brasileiros, mesmo com a derrota, ainda se orgulhavam de sua seleção. Hoje, não sei se ganharíamos sequer da Argentina – o embate ficou pra 2014, quem sabe... E teve jogador voltando pra casa sob escolta de segurança, com medo de ser atacado pelos torcedores. Isso sem falar no técnico Dunga, ô coitado... Demitido via Internet, bombardeado pela mídia, execrado pelos torcedores.

Ai, que saudades da Copa de 1982, mesmo com a derrota...

E ainda vamos ter que engolir outro fato... Em 82, perdemos para o campeão. A Itália acabou levando o caneco naquele ano. Agora, acredito que nem isso... Perdemos pra um time sem grande tradição no futebol e que, certamente, vai ser massacrado pela Alemanha se chegar à final.

Ai, gente, tô com "meda" de 2014... Mas até lá já terei esquecido tudo isso e estarei, novamente, com minha camisa amarela e com meu coração cheio de esperança!