quarta-feira, 25 de junho de 2008

Amor tricolor

Eu sei que prometi a ela que escreveria esta crônica sem dizer o nome da louca que, de colchão e travesseiro em punhos, passou a madrugada toda e parte da manhã dormindo na porta do Fluminense, para poder comprar seu ingresso para assistir à final da Copa Libertadores no Maraca. Sim, eu sei que te prometi, Cris! Mas, como você sempre me chamou de “bocuda”, não poderia esperar outra coisa dessa prima aqui, que há tantos anos chora (de emoção e tristeza) junto a você pelo NOSSO FLU.
Sabe o que me fez mudar de idéia? O gol do Flu, aos 11 minutos do primeiro tempo, no primeiro jogo da final lá em Quito. Não, claro que eu não estou assistindo ao jogo na TV. Senão não estaria aqui escrevendo no mesmo instante em que a redonda rola naquele gramado plantado em solo inimigo. Mas ouvi os fogos de artifício, ouvi os gritos da torcida (que saiu, definitivamente, do armário). Daí deixei o Word de lado para conferir no UOL: é Nense um a zero!!!!!!! É, prima... Tô aqui no computador, trabalhando... O Renato Gaúcho tá rico... Eu ainda não... E você, amada, está no Skina tomando todas e assistindo ao jogo, né?
Mas, inveja à parte, vamos à história da minha prima maluca...

Uma hora da manhã, Cris se despede dos amigos na Farani, após uma sexta-feira típica dos AMIGOS sertanejos. Só que, em vez de Bavária, minha prima gosta de cantar assim: Itaipava, Itaipava, Itaipava... Itaipavaaaaaaaaaa!!!!!!!! Sobe em sua Scooter e segue pra casa. Onde ela mora? Ah, mais inveja... Na rua do Fluminense! E se espanta ao ver, àquela hora, uma fila já avantajada para a venda dos ingressos para a final. A bilheteria só abriria às oito horas! Humph! Daquele jeito, ia ser difícil garantir o seu cantinho na arquibancada e reviver as emoções da semifinal com o Boca Juniores, que ela, obviamente, prestigiou.
Não seja por isso! Cris chega em casa, tranca sua scooter, sobe num pé, volta no outro. Levando debaixo do braço nada mais, nada menos, do que um colchonete e um travesseiro. Ué, qual o problema? Não tem gente que faz de tudo para ter um dia de princesa? A Cris decidiu que teria sua noite de mendiga! Tudo por amor ao Flu... Chegou na fila e pegou a senha de número 29, destinada aos sócios. Estava com sorte. Nem ligou quando uma mulherzinha (sim, muitas mulheres estavam na fila!) tentou dissuadi-la de ficar ali, alegando que a fila não tinha distinção entre sócios e não-sócios e que seu lugar era lá debaixo do viaduto, com todos os outros torcedores. Pô, aí já era demais! De colchonete, travesseiro e debaixo do viaduto?!?! Aí era só esperar a Fundação Leão XIII passar e levar minha prima pra um abrigo...
Pois a Cris fincou pé junto ao portão do clube. E, sem a menor vergonha, estendeu o colchonete, se recostou no travesseiro e... dormiu. A única pessoa – que dirá uma mulher! – a se deitar naquele chão, em meio a tantos mauricinhos sentados comodamente em suas chiques cadeiras de praia reclináveis. Dormiu e sonhou... Que estava no Maraca vendo o time desfilar com a taça nas mãos!
Às cinco da manhã, um companheiro de fila, gentilmente (tricolor é sempre gentil!), a acordou dizendo que os portões seriam abertos para que a horda de torcedores se acomodasse melhor nas arquibancas. Sonambulicamente, lá foi minha prima rumo à arquibancada. Mais uma vez, não se fez de rogada: estendeu seu colchonete e... zzzzzzzzzzzzzzzzzzzz!
Sol à pino, sete horas. Não deu mais pra Cris dormir. Quando abriu os olhos, timidamente, deu aquele pulo! A arquibancada, antes com meia dúzia de gatos pingados, estava lotada!!!!!!!! Sem saber onde enfiar a cara, perguntou para um “vizinho” se já estavam vendendo os ingressos. A resposta foi negativa. Mas ela própria teve que dizer “sim” para vários outros “vizinhos”, que começaram a perguntar: “E aí, dormiu bem?????” Ai, ai... Torcedor fanático paga cada mico...
Pouco depois das nove horas, a romaria chega ao fim. Com seu ingresso guardado a sete chaves dentro da bolsa – aquele pedaço de papel estava valendo mais do que um tesouro! –, minha prima ruma para o portão de saída. Na roleta, ouve a última de um funcionário:
– Pô, banquinho, cadeira de praia, tudo bem... Mas COLCHONETE E TRAVESSEIRO?????
Na segunda-feira, no caderno de esportes do O Globo, quem eu vejo lá! A foto de uma mulher babando no travesseiro, numa grande fila em frente ao Flu, esperando para comprar seu ingresso. Na legenda:

A QUE PONTO CHEGA O AMOR TRICOLOR...


(Pois é, prima... Estou aqui te zoando no meu blog! Você sabe que o parágrafo final é invenção minha. Mas que vc escapou por pouco de ir parar na mídia, ah, isso escapou! Pô, mas o pior vc não sabe... Acabei minha crônica agora e voltei ao UOL. O placar está 4 a 1 para o tal de LDU. Menina, será que valeu a pena tanto sacrifício?)

3 comentários:

Fernando Freire Jr. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Fernando Freire Jr. disse...

Pois é dinda, enquanto você escrevia, não viu que na verdade o gol do Flu no comecinho havia sido um gol de empate porque a LDU praticamente marcou antes do juiz apitar o início do jogo. Fiquei triste por ser carioca e por gostar do Renato Gaúcho, mas são coisas do futebol. Triste mesmo eu fiquei pela pobre Cris, que enfrentou isso tudo para, provavelmente, assistir a derrota em casa na próxima quarta. Mas futebol é futebol e tudo é possível. O Flamengo foi campeão da Libertadores e do Mundo com um tal de (argh!) Nunes lá na frente...
Eu vou continuar torcendo, mas embaixo do edredom, na minha caminha quente, que eu já passei da idade de ralar o forévis em arquibancada! Beijos!

Ana Cristina disse...

Ai...ai... Ana... só vc mesmo (ou seria, só eu mesmo?!)
Já ri um bocado relembrando os momentos (pelo menos, dos que me lembro..rs.)
Se valeu a pena? Faria tudo de novo e ainda acrescentaria um cobertor... rs.
Por favor, não fiquem com pena ainda... a final é só semana que vem. :)
Qto ao Flamengo, não quero desmerecer o título de campeão da Libertadores (1981),mas acho que o gostinho de ser campeão deve ser um pouquinho diferente... afinal os times argentinos não participaram nesse ano... coisas do futebol, não é mesmo? :))))

E quarta que vem tô lá! Perdendo ou ganhando é o meu FLUMINENSE!
E a emoção e a alegria de vê-lo na final ninguém me tira. :))))

Dormiria de novo na calçada pelo meu ingresso...rs...

Ana, amei!