quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Cheiro de cocô é f...

Amo tanto o meu Rio de Janeiro... Amo mais ainda a Zona Sul, onde nasci e vivi até os 34 anos. Foi exatamente no dia 20 de julho de 2003 que desci de uma caravela em meio a um bairro sem mar, mas com uma bela mata (quase) virgem: Jacarepaguá. Até hoje conto os segundos, minutos, horas, dias em que poderei voltar ao meu habitat natural: Laranjeiras, Cosme Velho, Flamengo, Botafogo... Olha que nem quero tanto... Quereria mais se estivesse me referindo a Ipanema, ao Leblon!

Bem, mas o fato é que estou começando a repensar esse meu retorno às origens. Hoje fui de ônibus da Praia Vermelha até a Lapa e tomei um baita susto olfativo... Passando em frente àquela praça que tem um índio asteca no aterro do Flamengo, subitamente um cheiro de cocô humano invadiu o ônibus. Fiquei constrangida, mas foi tudo muito rápido, porque ali o ônibus corre mesmo... Porém, uns dois minutos depois, ao chegarmos em frente à praça Paris, o cheiro - ainda mais forte, insuportável pra ser sincera - invadiu novamente. E o pior: o sinal fechou, o ônibus parou.

Pude observar a maravilha de cenário que se transformou a praça Paris. Mendigo pra tudo quanto é lado... Pessoas fazendo caminhada na praça não se incomodavam. Interagiam numa boa. E no ar aquele cheiro INSUPORTÁVEL de cocô... Enquanto o ônibus ficou parado, permaneci com os dedos tapando meu nariz. E reparei que ninguém
se importava. Todos os outros passageiros pareciam estar acostumados com aquela fedentina. Quase tive um orgasmo quando o sinal abriu e saímos daquele Vietnã olfativo...

Fiquei pensando num turista passando por aquela praça, ainda engraçadinha, ou pelo lindíssimo aterro do Flamengo... Que Rio é esse que temos a oferecer? Além de violento, também fétido?

É por essa e outras que gosto cada vez mais do meu atual bairro da Freguesia. Sem mendigos, sem mau cheiro, muito bom pra se viver. Pena que tão longe de tudo... Longe da praia de Ipanema, longe do parque dos Patins, longe das Paineiras, longe da pista Claudio Coutinho, longe da banana split saboreada nas muradas da Urca... Mas longe, também, do cheiro de cocô humano!

2 comentários:

Fernando Freire Jr. disse...

Pois é, minha cara... Recentemente eu sentei para escrever um texto cujo título seria "O que está acontecendo com o Carioca?". Mas ficou tão azedo que eu parei. Porque nossa cidade é a mais linda do mundo, dita por todos que a conhecem, não importa de onde venham e nosso povo costumava estar entre os melhores. Mas de repente algo mudou. Nunca o carioca desrespeitou tanto as leis e a ordem pública. E o pior: continua se achando o máximo...
Hora de ir embora ou hora de acordar e começar a fazer alguam coisa?
Beijos!

Ana Cristina disse...

Muito bem lembrado com a nossa cidade está entregue (aos cocôs).
No dia seguinte do seu post, passei por lá e estou aqui para deixar o meu infeliz testemunho olfativo e visual. Tristeza misturada com indignação.
Que está na hora, de nós, cariocas fazerem algo, não resta dúvida mas fazer o que exatamente diante do descaso das autoridades?
Escrever uma cartinha desaforada para o prefeito? Ir lá catar o cocô? Reunir 10 mil assintaruas para que o governo faça a sua obrigação?
É duro, viu?
um bj.
Cris.